Falar de violência nesta ambiência é pertinente e desafiante, porque ela é fruto de uma época em que a liberdade no amplo sentido, é o fator essencial da degradação familiar e da própria sociedade. Liberdade sem disciplina, inserida numa verdadeira inversão de valores, onde o pensamento está banalizado para o consumo e os valores éticos, morais, culturais e sociais que serviam de suporte para a formação dos indivíduos numa convivência pacífica e solidária hoje são relegados.
Fatores preponderantes como justiça, honestidade, solidariedade, fraternidade, amor e religiosidade que instituíam uma referência básica na convivência social das famílias e da sociedade não são mais vivenciados. Circunstancialmente, a palavra violência tornou-se um estigma no cotidiano, ferindo princípios, provocando seqüelas irreversíveis. E o que vemos? Uma pluralidade de violências que nos deixam estarrecidos! É no lar, na rua, na escola, no trabalho, enfim, sua fluidez é explícita em todas as esferas num total desrespeito aos direitos humanos, e porque não dizer à Vida e a dignidade humana.
Nesta sincronia, o mundo vem se transformando de forma ambivalente, condenando-nos a uma época individualista, onde as pessoas são pouco tolerantes. Simultaneamente, perdem a noção dos valores, se tornam “seres mesquinhos”, sem afetividade, amor à vida e ao próximo. Valorizam mais os bens materiais, o importante é o “Ter” e não o “Ser”. Reduzem-se às mesmas condições de “coisas”, sem visão de que as mudanças e as evoluções são decorrentes do processo civilizatório próprio da humanidade, no qual devemos nos adequar e exercer a liberdade de forma responsável, compreendendo nosso papel social como: cidadão, pai, mãe, irmão e filho.
A liberdade excessiva praticada por jovens, é resultado da falta de limites que muitos pais não impõem a seus filhos, para que não sejam taxados de ultrapassados, consentindo com tudo que os filhos querem. Vale salientar que liberdade não é sinônimo de fazer o que se quer, com quem quiser e na hora que tiver vontade, é preciso considerar a existência de regras, princípios e limites que devem ser respeitados. Prova disto é a violência padrão de comportamento que vivenciamos proveniente de uma liberdade desenfreada, onde são perceptíveis a falta de respeito mútuo e a banalização da vida.
O segundo aspecto nos remete à ausência de limites nos atos e ações, em você não saber respeitar o seu espaço e o do outro, não dignificar você e o próximo como pessoas humanas e reconhecer valores. Infelizmente, vivemos numa sociedade de consumo onde crianças, jovens e adultos estão cada vez mais ávidos pelo uso de produtos como: carros, celulares, roupas e tênis de “marcas”, relógios e similares, sem se importarem como vão obtê-los. É aí que muitos fogem das regras sociais e entregam-se às drogas, à criminalidade, as ondas da modernidade agindo de forma irracional. A palavra violência precisa ser banida do cotidiano, o que assistimos é chocante! Filhos matam pais sem nenhum remorso para satisfazerem seu sonho de consumo, outros pela vontade de praticar esta atrocidade, e assim sucessivamente.
Triste mesmo é vermos cotidianamente que vidas são ceifadas, de formas animalescas, pois mata-se instintivamente. O que fica cada vez mais claro, é que a violência é uma questão de educação, reflexão, exige ação, atitude e bom senso. A propósito, ainda há tempo de acreditarmos em Deus, termos fé, de fazermos brotar no coração o amor, dando lugar a um sentimento de convivência pacífica, resgatando os princípios que norteiam e dignificam a vida dos seres humanos, principalmente a sua. Não deixe que a violência seja uma imposição que caracteriza seus atos, faça com que a paz e o amor passem a construir o s

Por Joseana Almeida Santana
Jornalista
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